Foi no dia 16/10/17, segunda-feira à noite, que nossos convidados comentaram o trabalho de leitura realizado na Projeto, na presença de algumas famílias e dos professores.

Annete falou sobre as diferentes leituras realizadas ao longo da escolaridade, situando critérios utilizados para a seleção de títulos, gêneros e textos. A intenção da Projeto tem sido oferecer uma bagagem “de peso” aos alunos, tanto no sentido da quantidade de livros lidos como de sua qualidade (o que há de melhor!). E qualidade na literatura não significa aquilo que é aceito mais facilmente ou mesmo o que é esteticamente mais bonito ou mais certinho. O livro que questiona ou causa estranhamento também é importante.

Além de levar em conta os cânones, a escola busca contemplar a diversidade no “currículo de textos previstos” para cada ano da escolaridade e para cada uma das etapas – infantil e fundamental – como um todo, mas sempre com espaço para novidades (lançamentos) e para eventuais substituições que se julgue necessárias. Essa diversidade não se limita aos autores, entre os quais se inclui brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas. Abrange também uma variedade de gêneros e de temas abordados, bem como de modalidades de leitura (socializada, acompanhada, individualizada, unidades de leitura ou leitura mediada, leitura na biblioteca e, mais recentemente, a leitura em plataforma digital), que são trabalhadas simultaneamente e com continuidade e regularidade, algumas delas todos os dias, garantindo-se uma verdadeira imersão dos alunos no universo da leitura literária. E, nesse sentido, o destaque fica por conta do trabalho com o autor convidado, que traz uma nova camada às leituras selecionadas, renovada a cada ano, e que culmina, depois da leitura de sua obra pelas turmas da escola, com o encontro para conversar e a feira do livro da escola. Tudo isso junto contagia e aprofunda, resultando em uma experiência muito significativa para crianças e adultos.

Outro critério importante, reconhecido e destacado pelo profº Fischer, é a adequação aos interesses e condições dos alunos, sem nunca subestimar o leitor, respeitando um princípio de trabalho – a progressão – que aparece em todas as áreas e se refere a trazer desafios sempre um pouco além da capacidade do aluno, de modo que, com a ajuda do professor, ele possa avançar continuamente, construindo novas aprendizagens de fato e ampliando as já construídas.

Quanto à diversidade, Fischer reiterou a importância para a formação do leitor de passar pela maior variedade possível de gêneros (poesia, diferentes tipos de narrativa, contos, crônicas, lendas, fábulas etc.), no sentido de ele ter experiências que ampliem sua capacidade de leitura. Observou também que se nota no trabalho, pelo uso de diferentes estratégias e do ir e vir constantes, cada vez ampliando um pouco mais (como numa espiral), o quanto a escola sabe que aprender a ler não é nada simples e que a leitura não é linear.

Foi gratificante e estimulante ambos os convidados reforçarem a coerência entre o discurso e a prática da escola, em relação à sua crença na leitura e na literatura, e na arte em geral, como forma de ajudar o ser humano a compreender o mundo e se tornar melhor.