Brenda Ribemboim Bliacheris (mãe de Beni, T 13)

mia christopher

Era um simples passeio da escola para um piquenique na Redenção. Nada muito elaborado: bastava atravessar a rua da Unidade 2 e já começava a festa. Sem ônibus ou pagamento de ingressos.

Mas seriam muitas crianças: o grupo 5, o segundo, o terceiro e o quarto anos. Quatro turmas diferentes com idades entre 5 e 10 anos. Algumas delas, claro, com algum tipo de dificuldade ou deficiência mesmo. Acompanhando seriam as professoras das turmas (gente incansável!) e mais uns 2 acompanhantes, salvo engano.

Como é costume na Projeto, foram convidados a participar, auxiliando, alguns responsáveis pelas crianças: um de cada turminha.

Naquela vez, eu seria a feliz mãe/responsável representando o grupo 5. Fui. E vivi uma experiência tão enriquecedora quanto libertadora!

Aquelas muitas crianças (mais ou menos 40) seguiram para o passeio com uma animação de emocionar. Sentamos e lanchamos. Todos juntos e misturados: lanches saboreados sem a preocupação de saber quem trouxe o quê – tudo ali era para todos.

Terminado o banquete, as crianças perguntavam aos adultos “o que é pra fazer agora?”. E recebiam sempre a mesma resposta: “vão brincar!” Assim mesmo, sem oferecer ideias ou materiais, sem sugerir parcerias, corda, bambolê ou brincadeiras pré-selecionadas. E as crianças? Simplesmente iam brincar. Inventar suas próprias diversões, explorar aquela pracinha que tantas vezes é, por nós moradores de Porto Alegre, menosprezada. Juntaram-se em grupos, inventaram regras, deram risadas e “mandaram brasa”, com o perdão do uso de tão antigo bordão…

Eu, ali, me limitava a tirar fotos e tentar não atrapalhar aquelas crianças, tão livres.

Ao final do passeio, voltamos. Os “grandes” de mãos dadas com os “pequenos” – e nem pra isso os adultos precisaram auxiliar. Deram-se às mãos com a mesma simplicidade e animação com que brincavam antes.

Boquiaberta, me dei conta de que foram três horas, com 40 crianças em idades bem distintas, sem nenhuma “atração” artificial, zero interferência dos adultos e problema…nenhum! Isso mesmo! Nenhuma criança chorou, gemeu ou bufou. Nenhuma reclamou que “professora, fulaninha não quer brincar comigo…”; “profi, aquele guri me empurrou…”. NADA. Zero confusões, choros ou gemidos. Zero disputas ou brigas. Zero arranhões ou caras amuadas.

Já fui professora informal em vários lugares (movimentos juvenis, estabelecimentos religiosos etc.), sou mãe de um guri de 15 anos que já passou por 4 escolas diferentes e nunca vi nada igual. Nunca havia visto essa tranquilidade feliz e simples. Exatamente o que busco para minha vida e a de minha família. O que sempre busquei numa escola e, agora, encontrei na Projeto.

Sorte de Beni. E do resto da família!

 

Ilustração: Mia Christopher