Neca Baldi

fbeaa05f5f3bc52ef799a823cf8c0aa9Me tornei mãe aos 40 anos. Para o pessoal jovem talvez isso não soe legal. Imagino até os comentários: “Credo, aquela velha resolveu ter filho…” Até entendo, pois eu mesma, quando jovem, fiquei impressionada com uma tia que casou com 30 anos. Tudo é uma questão de perspectiva!

Importa é que, “velha” ou não, me tornei mãe num momento de absoluta maturidade, o que na prática se traduziu em tranquilidade e baixa ansiedade. Reflito muito sobre isso, pois há muitas vantagens e desvantagens em ser mãe nova ou mais velha.

No meu caso, a maternidade não era uma opção, quando mais jovem, por não ter encontrado ainda o parceiro de vida, sabe? Enfim, meu filho nasceu, depois de 3 anos de vida em comum com o pai dele e meu companheiro.

Aos 3 meses, o meu menino foi para a Projeto! Mãe empresária é fogo: licença maternidade nem pensar! Na ocasião, tínhamos berçário na escola e para lá fomos nós dois juntos. Que emoção! Eu, para seguir meu trabalho, e ele, para frequentar o berçário e conviver com outros bebês.

João Pedro, meu filho, hoje com 17 anos, foi o ‘maior frequentador’ da escola, permanecendo lá dos 3 meses aos 11 anos. Saiu ao final do 5º ano.

Nesse período, muitos foram os questionamentos sobre ele cursar a escola em que a mãe era diretora. Nem vou me deter nisso, pois todos sabem do que a mente humana é capaz. O fato é que ele frequentou e viveu a PROJETO como qualquer outra criança! Tinha muito claro que ele, assim como qualquer filho de professor da escola, se tivesse um tratamento diferenciado não poderia estar ali (não é, Deborah? Deise? Márcia P.? Carla? Tatiana? Raquel? Michele? Andrea? Márcio? Jéssica? Jaqueline? Nathália?)

Meu marido também dizia, sempre, que se ele fosse diferente das outras crianças, procuraríamos outra escola. Não foi preciso, ele saiu de lá, quando tinha que sair. No 6º ano foi para a escola que o pai estudou.

Não teve problema algum para se adaptar ou iniciar novas amizades, e nem questões cognitivas para acompanhar a série. Pelo contrário, chegou chegando! Chegou marcando presença! Chegou fazendo a diferença!

Por ter estudado na Projeto, desde pequeno, foi estimulado a observar, questionar, interagir com o outro de forma respeitosa, aprender de forma instigante e se posicionar. Por essa razão, em muito pouco tempo, ele estava inserido no novo grupo que vinha junto desde o jardim de infância.

Nos primeiros dias, sim, teve frio na barriga, enjoo, nervosismo, mas mais do que isso, na sua bagagem, levava muitas condições e elementos internos que o fortaleciam e permitiam que se colocasse de forma tranquila e segura.

Destaco aqui que há pais que, para evitar situações de “desacomodamento”, deixam de colocar seu(s) filho(s) na Projeto, por exemplo, porque não é uma escola com o ciclo completo. Referem que, depois, vai ser ruim ter que ir para outra instituição, começar de novo e ‘perder os amigos’. Tenho clareza de que não há nada que seja para a vida toda: casamento? endereço? trabalho?

Às vezes, aquelas mesmas famílias que optaram por escolas que têm todos os níveis e seriam para o ciclo inteiro, se veem motivadas a transferir seu(s) filho(s), buscando atendimento às necessidades, interesses ou expectativas que vão aparecendo. Nós mesmos, na Projeto, já recebemos muitos(as) alunos(as) que a escola com o ciclo completo não deu conta.

Então, vale pensar que nossa melhor escolha, atitude ou decisão seria a de apostar todas as nossas fichas no que acreditamos, nos identificamos e valorizamos. Dure o tempo que durar. Com certeza vai valer a pena!