Amanda Mendonça Rodrigues (*)

Texto 29 - Amanda - imagemCerto dia, enquanto estava brincando de criar desenhos engraçados com uma menina do 1º ano, fui surpreendida com uma pergunta: “Por que a outra monitora saiu da escola?” Engoli um pouco a seco. Fiquei pensando alguns segundos na resposta que ia lhe dar. Assunto delicado esse. Como a monitora era muito querida para as crianças, quis amenizar a “cara” de abandono que esse fato poderia ter.

Respirei fundo e disse a verdade: “Porque ela foi ser professora em outra escola”, e acrescentei, “e todas as monitoras têm o sonho de se tornarem professoras um dia.” Logo, a menina mostrou um pequeno sorriso e disse que, então, era uma coisa boa. Eu respondi que sim, que ela (monitora) estava feliz.

Os dias foram passando e aquela resposta que dei permaneceu cutucando a minha cabeça… Pois, é. Quem tem a grande oportunidade de conviver com crianças, sabe das consequências filosóficas disso nas nossas vidas… “Todas as monitoras têm o sonho de se tornarem professoras” ficou retumbando…

Pensei na jornada cotidiana que tenho feito na Escola Projeto, pela qual tenho tanto apreço. Diante dos desafios colocados, principalmente aquele do tempo que diz que uma hora esse sonho vai se realizar pra mim também, procuro tirar o maior proveito. Principalmente porque essa escola se preocupa não só com a formação dos estudantes, mas também com a de todos os profissionais que atuam lá dentro.

Muitas vezes senti como se estivesse nos bastidores de um grande espetáculo, que seria a sala de aula. Tantas ideias discutidas, mas não era eu quem as executava. Dia desses, conversando com a Beth Baldi, em mais um de seus cursos em que tive a oportunidade de estar, ela me confidenciou que sentia muita saudade da sala de aula, pois algo parecido se dava com ela, quando estava diretamente na coordenação, assessorando os(as) professores(as): planejava com eles coisas novas, discutia e sugeria ideias, mas, no final, eram eles/elas, com seus alunos e alunas, os sujeitos à frente desses projetos. Como se não pudéssemos estar “no melhor da festa”! Ou estivéssemos de outra forma…

Concluí que esse sonho é alimentado por um certo amor clandestino. A cada substituição feita, encho meu potinho docente. Ah, que época maravilhosa essa dos relatórios! Posso entrar na sala de aula e me sentir como uma filha experimentando os sapatos da sua mãe: esperando ansiosamente o momento de poder usá-los e caberem perfeitamente nos meus pés.

(*) Monitora-estagiária que atua na Projeto há 2 anos e 6 meses, realizando as mais diversas tarefas, inclusive a de substituição eventual em sala de aula. Cursa o último semestre de Pedagogia na PUCRS.