No calendário, a semana é do Meio Ambiente, mas, na Projeto, o ano inteiro é dedicado ao cuidado com a natureza. Mais do que ações isoladas e pontuais, observar o meio onde vivemos e pelos quais somos influenciados e influenciamos é uma constante na escola, englobando uma permanente vivência de situações cotidianas pelas crianças.

Pode ser o plantio de mudas na horta, a atenção às árvores da Redenção, a coleta e o reaproveitamento de materiais ou mesmo a observação de como a mobilidade urbana impacta na cidade em que vivemos… O importante é que a educação sirva de farol para sensibilizar nosso olhar, ativar nossas atitudes sustentáveis e ajudar a formar crianças e, futuramente, adultos mais responsáveis.

“A Educação Ambiental passa por todos os conteúdos, dialoga e dá sentido. Passa pelo material usado na escola, pelo olhar para os recursos naturais, pela postura de cuidado ao outro, ao que é de todos e a nós mesmos. A Projeto, desde 2006, tem um currículo permeado pela Educação Ambiental, que pude acompanhar desde a criação, e a escola seguiu muito consistente”, diz Anna Milanez, bióloga especialista em Saúde Pública, educadora ambiental da Projeto e mãe dos alunos Lui e Lua.

Quer conhecer algumas de nossas ações e se engajar também? Então vem com a gente!

 

1. Cultivo de ervas na horta para chás e culinárias |

Mexer na terra tem seus encantos e lições, e as crianças da Projeto podem experimentar essas sensações todos os anos ao cuidar da horta da escola. Tanto na Unidade 1, onde estudam os pequenos da Educação Infantil, quanto na Unidade 2, onde ficam as turmas de 1º a 5º do Ensino Fundamental, a ideia de conhecer o ciclo de plantio de flores e ervas aromáticas é permanente. No início do ano, mudas ou sementes são dispostas na terra, que recebe os cuidados apropriados para um solo rico e saudável. À medida que o ano passa, os alunos observam o desenvolvimento daquilo que plantaram, e prepararam inclusive lanches utilizando as ervas aromáticas da horta que podem chamar de suas. Saber que os alimentos e as flores não aparecem do nada e que estão inseridos em um ciclo de vida no qual estão integrados é uma das lições mais básicas para compreender o mundo. Difícil seguir pela vida afora sem se encantar com a terra, sem respeitá-la, sem cuidar para que a relação de causa e efeito seja vantajosa para a vida de todos nós.

G2 – Ciências - Colheita dos temperos – 2º sem (9)

 

2. Uso consciente dos recursos |

Torneira pingando, luz acesa em pleno dia ensolarado, 4 folhas de papel para secar as mãos. Nada disso! Na Projeto, as crianças são estimuladas a refletir sobre como pequenos atos cotidianos podem representar um desgaste imenso para os recursos naturais da vida na Terra. Não é apenas uma recomendação: “desliga a luz, fulaninho(a)”, “fecha a torneira, sicraninha(o)”. É realmente estudar a razão desses pequenos cuidados. Um exemplo de vivência na prática? Os 3ºs anos estão estudando Porto Alegre e, recentemente, visitaram algumas casas históricas da cidade. Chegaram à escola, de volta do passeio, em polvorosa. Descobriram que, “nos tempos mais antigos”, algumas construções eram planejadas com imensas janelas para que a luz solar pudesse invadir os ambientes internos da casa em um período em que viviam à luz de velas ou de lampiões. “É por isso que as casas devem ter janelas grandes, né, mãe? Hoje a gente não vive à luz de velas, mas assim a gente poupa a luz, que vem lá das hidrelétricas”.

Aprender de onde vêm os recursos energéticos, a origem da folha de papel, da água da torneira, tudo isso é um primeiro – e importantíssimo – passo para a preservação da natureza. É a primeira forma de engajamento. Engajamento sem consciência não vinga!

 

3. Reaproveitamento e descarte correto de resíduos |

Adoramos reaproveitar! E isso se percebe plantado dentro do brilho dos olhos de cada um de nossos alunos. Sabe como? Eles são os principais entusiastas na coleta de tampinhas plásticas que destinamos a associações, ONGs e coletivos que as transformam em renda a recicladores. Quem aí nunca teve um(a) ambientalista em casa catando tudo que era tampinha de refrigerante? A Projeto também é ponto de coleta de pilhas, materiais estes que não devem ser descartados no lixo comum devido ao risco de contaminação do meio ambiente. A partir dessa coleta, essas pilhas são encaminhadas aos órgãos que cuidam do descarte apropriado desse tipo de material. Além disso, somos aproveitadores. Siiiiim. Aproveitadores do bem!!! Nossos alunos já sabem: restos de alimentos viram adubo para as nossas hortas por meio do nosso projeto de composteira. Embalagens de lanches, que também são estudadas pelas crianças já na Educação Infantil, passam a ser vistas com um olhar mais criterioso por elas e por seus familiares. “Seria possível trazer esse lanche em alguma embalagem reaproveitável? Por que produzimos tanto lixo no ato mais pueril de preparar uma lancheira? E as embalagens que precisam ser mantidas e descartadas, o que fazer então com elas?” As crianças já sabem. Entregam para as funcionárias, que cuidarão de lavá-las e encaminhá-las para a reciclagem. Nada se perde, tudo se transforma. Lição de ciência que elas já têm na ponta da língua.

 

4. Árvores da Redenção |

A gente ama a sombra da árvore, subir no alto de seus troncos e também comer de seus frutos. Na Unidade 1, temos uma pitangueira famosa que faz a alegria das turminhas que por aqui passam, e, na Unidade 2, várias frutíferas exibem plaquinhas com seus nomes científicos. Uma família de que cuidamos, com nome e sobrenome! Mas esse amor não fica apenas dentro dos nossos muros. Fora do pátio, do outro lado da rua, em frente ao nosso prédio da Unidade 2, existe o enorme e verde Parque Farroupilha, ou a nossa querida Redenção. E sabe o que fazemos com esse vizinho de luxo? Levamos as crianças para estudar de perto a riqueza natural desse espaço. E sabe como? Na companhia da bióloga Anna Milanez, que também é nossa ex-aluna. A visita guiada ao parque é uma aula sobre as espécies nativas de árvores que lá estão, suas peculiaridades e importância para o ecossistema, regras para manutenção e plantio. Nós, que muitas vezes desfrutamos de suas benesses, podemos olhar para o alto, para o topo das árvores, de outra maneira. Não temos dúvida que, depois de explorar a Redenção, hipnotizados por cada árvore que lá existe, as crianças passam a olhar para essa força da natureza de outra maneira.

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5. Mobilidade urbana |

E quem planta, quem cuida dos recursos energéticos, quem se preocupa em não produzir tanto lixo ou reciclá-los e percebe a importância das árvores no parque da cidade leva todas essas lições para o mundo afora. Siiiiim. Isso é cidadania! Na Projeto, enxergar a cidade como um todo, como um espaço de uso coletivo é uma forma de entender a educação ambiental em uma dimensão muito empoderadora: a de que a cidade que desejamos depende também da gente. E os pequenos e pequenas sabem disso.

Um exemplo é o estudo de Mobilidade Urbana. Essas duas palavras que, juntas, às vezes não fazem sentido para muito adulto por aí, aqui, na Projeto, assumem uma importância gigantesca na vida dos alunos. Entender como funciona o deslocamento dentro da cidade, o uso dos combustíveis não-renováveis e o impacto disso no ambiente é algo que certamente os pais, mães e familiares dos alunos dos 3ºs anos devem estar conhecendo bem na fala de seus filhos.

Essas turmas são as que defendem a relevância de um projeto de ciclovia para a cidade, a fim de que os recursos naturais não sejam esgotados pelo homem. Também são as crianças que veremos defender o uso de um transporte público de qualidade com a intenção de não sobrecarregar o trânsito e, consequentemente, a natureza. Outro dia, uma aluna da Turma 32 chegou com uma reportagem interessantíssima em sala de aula. Incentivados pela professora, os alunos deveriam pesquisar notícias sobre mobilidade urbana. Ela chegou muito contente porque descobrira que, no ritmo em que estava sendo implantado em Porto Alegre, o projeto da malha de ciclovia levaria 171 anos para ser concluído. A turma toda fez raciocínios de futurologia com esse número imponente. E todos saíram desse dia de aula com uma certeza: somos todos responsáveis pelo mundo que queremos, o meio ambiente não é uma coisa lá fora. É aqui dentro. Dentro da gente.