Beth Baldi (1)

O hino de um país, estado ou cidade, assim como sua bandeira – e, às vezes, até monumentos ou locais conhecidos do lugar, obras de arte ou patrimônios imateriais -, são seus respectivos símbolos. Interagir com esses objetos que representam nosso lugar no mundo, a partir de diferentes perspectivas (histórica e artística, por exemplo) e dimensões (informativa, emotiva, crítica etc.), nos ajudam a atribuir-lhe sentidos, a ampliar nossa compreensão sobre ele e a refletir sobre nosso papel de cidadãos nos diferentes contextos.

Com esse objetivo a Projeto realiza, desde sua fundação, entre outras atividades, as “rodas cívicas” (no infantil) ou as “horas cívicas” (no fundamental), em datas marcantes como o 7 de setembro, dia da Independência do Brasil de Portugal, o 20 de setembro, dia de relembrar a Revolução Farroupilha, e o 26 de março, aniversário de fundação de Porto Alegre (2).

São momentos em que as turmas de cada etapa se reúnem para cantar os hinos e hastear as bandeiras, de acordo com a data, e também para falar sobre o tema em questão, a partir da apresentação de algum grupo, previamente encarregado de trazer alguma reflexão para seus colegas na ocasião.

Com esse tipo de proposta, que implica em certa preparação, nossos alunos e alunas se aproximam, gradativamente, conforme sua idade e ano escolar, a esses símbolos que representam seu país, estado ou cidade, ouvindo e aprendendo a cantar os hinos, lendo e discutindo as letras dos mesmos, observando, identificando os elementos e cores das bandeiras e, eventualmente, desenhando-as. Também estabelecem relações entre os símbolos e com a história do lugar que representam, refletindo e questionando o que dizem, à luz de comparações com sua realidade próxima, entre outras situações. Tudo isso para que possam ir construindo, progressivamente, ideias mais claras e aprofundadas sobre o local onde vivem, percebendo as transformações por que passa e sua relação com ele.

Há muitos outros trabalhos desenvolvidos pela escola, e já bem conhecidos das famílias, que abordam outros símbolos e patrimônios de nossa cidade, estado ou país: seus músicos, canções e gêneros musicais, seus autores e livros, sem esquecer nossa querida Feira do Livro de POA, seus artistas visuais e suas obras de arte, incluindo nossos museus, galerias, centros culturais e a sempre instigante Bienal de Artes do Mercosul, que acontece em nossa cidade. Além desses, há estudos específicos em diferentes anos escolares que também vão ao encontro da valorização de nossos símbolos, como o projeto do 2º ano sobre as árvores de Porto Alegre, ou o do 5º ano, sobre formação do povo rio-grandense, que leva os alunos a conhecer e visitar as Missões Jesuíticas, entre outros. E, mais recentemente, neste ano, estamos iniciando um trabalho sobre “a Porto Alegre dos nossos sonhos”, envolvendo crianças e suas famílias em rodas de conversa para pensar junto sobre possíveis ações que possam, quem sabe, transformar pouco a pouco nosso entorno, em prol do melhor para a cidade (3).

Trata-se, portanto, de um tipo de civismo, esse que praticamos na Projeto, que tem a ver com interesse e compromisso pelo público e pelo coletivo. Mais do que nunca, hoje e agora, é hora de nossos alunos e alunas vivenciarem e desenvolverem um olhar amoroso em relação ao seu lugar, praticando um patriotismo inteligente e solidário, que pense a favor da pátria e de seu povo como um todo. Por isso, amanhã, véspera do 7 de setembro, as crianças serão convidadas a cantar o hino nacional com força, depositando nas palavras entoadas o seu desejo de um país melhor, que possa encher de orgulho os que são parte dele. 

(1) Diretora pedagógica da escola.

(2) Outras datas são registradas através de outros tipos de propostas, devido à sua importância no contexto de estudos e valores da escola (Dia da Poesia, do Livro Infantil, do Meio-Ambiente, Aniversário da Biblioteca e da Escola, Festa Junina e Dia da Consciência Negra, por exemplo).

(3) Essa nova proposta tem a parceira do coletivo POA Inquieta.

Classificado como: