Virgínia Veríssimo

Burburinho de crianças. Nas mãos, caixas de medicamentos. Ninguém está doente, mas por que riem? Porque têm uma missão especial: caminhar pela quadra da escola e distribuir a cura!

Você já se arriscou a criar algum poema? Talvez tenha rabiscado alguns na adolescência e guardado a sete chaves ou jogado na lata do lixo. Imagine para crianças de seis anos que estão construindo a escrita? Em cada caixa, um pouquinho do trabalho feito na escola: os poemas criados por elas mesmas.

No 2º trimestre, leram, declamaram e ouviram muitos poemas. De Fernando Pessoa, Manoel de Barros e Arnaldo Antunes a poetas da literatura infantil, como Sérgio Capparelli, José Paulo Paes ou Leo Cunha, entre outros.

Com rimas ou sem, até non sense, a poesia costuma ser convidativa para a criançada. Mas não é fácil de escrever! Muitas rimas foram criadas, assuntos pensados e rascunhos feitos. O desafio do registro, as revisões e um poema escolhido.

E lá se foram, com suas fórmulas milagrosas de Poemol, Buscoalegria, Nostalgin, Zerotédio e Alegrina para curar a tristeza e as doenças do coração. Pelo caminho, pessoas idosas, trabalhadoras, jovens, estrangeiras, militares, homens e mulheres. Umas se diziam pobres para pagar por aquela medicação gratuita, outras analfabetas para ler a bula diferente e, até surdas, para escutar. A grande maioria, rica em receptividade, parecia entender o esforço de cada criança por trás das escritas. Algumas entravam na fila duas vezes!

Uma caixinha de remédio com um poema dentro, escrito com a letra mais caprichada possível. Palavras singelas, mas objetivo nobre: fazer sorrir. Em alguns locais, já era esperada a turma de poetas, com suas doses poéticas. As caixas nem sempre foram suficientes!

Final da caminhada, as crianças param na frente da moça sentada na escada da esquina.

Ela: não quero, não posso. O grupo: pega, é de graça.

Então lê pra nós.

Moro na rua, vão me roubar!

Leio pra essa princesa.

E leu para a menina com nome de princesa e para todas as pessoas em volta. E abriu o sorriso mais bonito de todos.

Nos poucos minutos de embate, conversa e poesia, estavam todos(as) curados(as)!

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