Período de Adaptação Escolar – Orientação às famílias
Durante o período de adaptação à escola, é possível que cada criança, pela sua singularidade e experiências anteriores, reaja de maneira diversa. Entendemos que se trata de um momento muito importante na vida da criança e da família e, como tal, deve ser encarado: por vezes, esta é a primeira experiência escolar, momento em que ela está se afastando dos seus familiares por um período mais prolongado. Ao mesmo tempo está ampliando seu mundo (físico e das relações socioafetivas) de um modo bem significativo, o que pode causar-lhe algum receio inicial.
As famílias, por sua vez, devem buscar tranquilidade em relação à sua escolha, optando pela proposta pedagógica que melhor se relacione com seus valores pessoais. Isso auxilia no momento da adaptação, pois poderão transmitir segurança, reconhecendo a importância de seus(suas) filhos(as) estarem na escola.
Assim, no sentido de auxiliar as famílias em relação a esse momento, que por vezes pode ser mais complexo, tanto para a criança como para os adultos, a escola oferece algumas orientações a respeito da adaptação e se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos:
- Alguns dias antes do início da aula, deve-se preparar a ida da criança à escola. Os responsáveis podem contar a ela como é a escola, o que vai fazer quando nela estiver, sem esticar muito o assunto, a não ser que ela faça perguntas. A ideia, sobretudo, é que ela vá descobrindo aos poucos, na interação com colegas e docentes. Podem também levá-la para comprar o uniforme, explorando as cores e o nome da escola, preparar seu material escolar, visitar a escola etc.
- Conversar sobre o tempo em que os familiares vivenciaram experiência escolar parecida pode ser bem interessante. Que tal mostrar suas fotos quando criança na escola? Contar de suas brincadeiras e brincar junto com ela? Falar dos amigos(as) conquistados(as)? Das descobertas feitas?
- É possível que a criança chore na hora de se separar da família e isso pode se repetir por alguns dias. Lembre-se de que nem sempre o choro quer dizer que ela não quer ficar na escola. Muitas vezes é um receio normal do novo, do desconhecido, ou uma forma de manter suas referências pessoais por perto. Mas lembre-se que para a criança se adaptar é necessário dar-lhe chances e espaço para interagir com o meio e com tudo o que nele estiver inserido, a fim de que ele se torne mais próximo e familiar. Entretanto, se essa situação continuar, convém mudar o modo de encaminhar a vinda para a escola. Pode ser bom um contato mais próximo com a professora ou coordenadora. Para isso, solicite uma reunião individual através do caderno de recados, telefone ou email.
- Inicialmente a criança frequentará a escola por um período reduzido, preparado especialmente para recebê-la. Aos poucos, esse período vai aumentando conforme a adaptação individual. É importante que a pessoa da família que acompanhar o processo demonstre tranquilidade e conhecimento em relação a essa estratégia. O aumento do tempo de permanência a cada dia na escola durante este período, será informado pela professora na medida em que perceber a evolução de cada criança.
- Se os responsáveis diretos trabalharem fora e não dispuserem de tempo para acompanhar o período de adaptação, o melhor é transferir para alguém da família essa responsabilidade. Se quem estiver acompanhando a adaptação ficar preocupado com os horários, transmitirá à criança a sua ansiedade. É aconselhável, na medida do possível, que se eleja uma só pessoa para acompanhar esse momento.
- Durante esse período ou quando a pessoa que vai acompanhar a adaptação for liberada dessa tarefa, é importante seguir as orientações da professora ou da coordenadora, a fim de não gerar mais ansiedade, não saindo “fugida” ou “escondida”, sem ter combinado antes com a criança. Nossa orientação é que se despeça dela naturalmente e com tranquilidade.
- O período de adaptação é marcado pela aproximação a uma nova referência adulta, no caso, a professora, que deverá assumir o apoio à criança no acompanhamento às diferentes situações. Por isso, se seu(sua) filho(a) pedir alguma coisa, aconselhe-o(a) a procurar a professora, para que se aproximem e construam laços afetivos. Se você ouvir o choro da criança, evite intervir imediatamente. Deixe que as pessoas que estão se adaptando a ela procurem distraí-la e estimulá-la a fazer alguma atividade com os(as) colegas. Se necessário, a professora procurará o auxílio da família. É importante que a professora seja vista como uma nova parceria afetiva, uma pessoa amiga e acolhedora. Para enfrentar melhor esse período, sugerimos que você leve um livro ou algum trabalho (manual ou outro), se for o caso, a fim de se distrair e se ocupar enquanto aguarda o tempo de permanência da criança na escola.
- Se, durante esse período, você observar alguma atitude mais “impulsiva” de alguma criança, procure entender que o ato físico é a linguagem mais utilizada por crianças bem pequenas. Um dos trabalhos da escola na construção da socialização é exatamente o de ajudar as crianças a perceberem que podem resolver as coisas de outros modos. Portanto, busque a professora ou auxilie as crianças envolvidas da forma mais tranquila possível.
- Superado o período de adaptação, seu(sua) filho(a) pode, em determinadas fases, demonstrar resistência em ir à escola. Diferentes motivos podem levar a essa atitude, como a chegada de um(a) novo(a) integrante na família, alguma viagem mais prolongada dos responsáveis ou algum desentendimento com colegas e professora. Nessas situações, consideramos conveniente conversar com a professora ou com a coordenadora, com o intuito de localizar o problema e tentar alternativas de solução. É importante que os responsáveis pela criança não façam concessões e estejam certos de que encaminhá-la para a escola é o mais adequado a fazer.
- A hora de buscar seu(sua) filho(a) é muito importante. Ele(a) terá uma rotina na escola e ficará mais tranquilo(a) se você for buscá-lo(a) na mesma hora em que vão as famílias das outras crianças. Qualquer demora poderá deixá-lo(a) inseguro(a). O mesmo ocorre se for retirado(a) frequentemente mais cedo da escola. É aconselhável que os atrasos ou a necessidade de buscar a criança mais cedo sejam eventuais e, quando acontecerem, sejam comunicados à secretaria da escola ou à professora pelo caderno. Respeitar os horários combinados (entrada/saída) não só na adaptação, mas durante todo o ano, demonstra respeito à atividade da qual a criança faz parte e, portanto, respeito à criança!
- Costumamos orientar que as famílias evitem realizar grandes interrogatórios sobre o que a criança fez na escola e o que acha dela. A curiosidade pode decorrer de sua ansiedade e ela perceberá isso. Caso comece a falar da escola, é até muito saudável que você participe, compartilhando da sua euforia.
- Se a criança ficar mais agitada ao frequentar a escola, não se preocupe, isso também é esperado. É compreensível que a descoberta de muita coisa nova e a elaboração dessas vivências cause determinada agitação. Sugerimos que esse momento seja acompanhado, buscando que ela possa demonstrar o que está sentido, que tenha espaço de escuta e que perceba tranquilidade por parte dos adultos.
Além de todas essas orientações, reforçamos a importância da confiança na escola. Para isso, entendemos como necessárias atitudes de abertura, disponibilidade e tranquilidade para possíveis retomadas e encaminhamentos. Então, não hesite em nos procurar para trazer suas dúvidas, incertezas, discordâncias ou ideias, a fim de que ocorra um compartilhamento efetivo e para que se construam vínculos de confiança fundamentais nessa relação.
Direção e Coordenação Pedagógica